de chocolate, de graça, potável, por querer, animado, prevenível, entre amigos, agora, em português, de competir, recíproco, estável, perto, carinhoso, inteligente e meu.
Eu tenho bons amigos, muito carinho, trabalho que nem parece, crianças especiais, dinheiro pro chopinho, casa-comida-e-roupa-lavada. Tenho um caminho, até vários. Tenho uma família enorme, que vive em harmonia, um piano, uma flauta e algum dom. Um computador, um blog, uns livros, minha Bíblia, uma televisão queimada, minha cama e meus edredons.
Quero mais o quê?
Tanto procurei, que o inevitável aconteceu. Eu que esperei esse dia nos últimos 3 meses, agora poderia respirar aliviada. Mas respiro o fim, o desapego, o desgaste, de novo. Eu fico bem sim, me cuido, esqueço. Amanhã já foi. Hoje eu choro pelo cansaço. Choro conformado, sabido, mas, ainda assim, triste. A gente cansa de se separar das pessoas, afinal.
Vou fingir que você não tá aí. Vou pensar que eu estou com sono, que tenho aquele monte de coisa pra estudar, que meu estágio está indo bem, meu mestrado vai acontecer, que o sistema imunológico é lindo, mas que existem fungos, tantos fungos, e bactérias, e vírus, e outras coisas que matam gente. Vou tratar de organizar minha festa de aniversário, desvendar onde vou passar a virada de ano, lembrar que tenho muitos amigos com quem não posso faltar. Assistir aos filmes que passaram e aos que vão lançar. Combinar a balada do fim de semana. Ir pra aula de canto, flauta e espanhol. Vou tentar não faltar na academia e andar de bicicleta assim que parar de chover, agora que a ciclovia passa aqui na frente. Continuar procurando um apartamento e tratar de juntar dinheiro pra comprar uma geladeira. E uma cama. Uma grande, de preferência, pra caber você de vez em quando. De vez em quando.