Desconfio de que nasci para viver só. Estou equilibrada em mim mesma, ereta, certa, na ponta do dedo do pé. Rodopiando. Rodopiando e andando, percorrendo quilômetros, até quase flutuando na paz. E crescendo, aprendendo, aperfeiçoando, criando, vendo, enxergando e esperando - que algo maior aconteça. Mas sempre que alguém ameaça me acompanhar, entro em alerta vermelho, me distraio, desequilibro, tropeço e caio. Fico ferida, suja, bagunçada e repartida. Levo um pouco pra me recompor e voltar pra minha coreografia, que já sei de-cor. Gosto da estabilidade. Gosto de saber qual será o próximo passo ou quando entra o próximo ato.
Será que algum dia alguém vai saber como me segurar de jeito e vai conseguir entrar na minha dança?, e até mesmo lá no alto me girar?, e ser feliz?, nos equilibrar e não me deixar cair? E não me deixar ter medo de cair? Será que você vai conseguir ser o meu par, quando eu te encontrar?