quando a gente é criança as coisas impregnam na nossa mente e depois a gente nem sabe de onde veio aquele trauma ou traço ou tic. às vezes eu descubro algum.
passei anos com medo de quando o elevador subia rápido em direção ao último andar. tinha a sensação estranha de que ele ia passar reto e sair do prédio e uma catástrofe aconteceria. Eu juro que sabia que não tinha cabimento mas a sensação existia sem um porquê. até o dia em que refizeram aquele filme A Fantástica Fábrica de Chocolate... e meu medo passou.
não gostava de ver minha mãe na sacada do prédio e achava perigoso ela ali. imagina eu, que criancinha noiada! enfim só estava preocupada porque a rosa brigava com o cravo e saia despedaçada. já imaginou sua mãe em pedacinhos desmanchando como um quebra-cabeça? várias vezes.
quando pequena passava horas brincando com as figuras de Escher impressas em dezenas de cartas como as de baralho. eu e minha amiga Luisa. talvez venha daí toda a ordem que eu encontro na minha bagunça inevitável.
e a dor que eu sinto ao ouvir um realejo. credo. tem som mais triste nesse mundo? e nesse caso não adianta. eu presumo que venha da música do Chico "estou vendendo um realejo, quem vai levar?..." nesse caso não passa o aperto no peito cada vez que vejo, ouço ou penso num. são raros hoje em dia. (o mais estranho é que eu adoro encontrá-los. é como um prêmio. como quando a gente vê um arco-íris ou como quando tiramos o palito premiado do sorvete).
Acho que ajuda pensar onde estão as raízes de seus traumas-manias-defeitos para tentar melhorar um pouquinho. Tá aí, sua vida não vai começar depois que um príncipe encantado aparecer com um beijo - desperte agora, nunca é tarde.