quinta-feira, 30 de junho de 2011

Não matarás?

A Saudade é urgente. 
     Se não tratada logo, começa a se resolver sozinha, se auto-destrói, se desfaz em vontades pequenininhas e insuficientes, muda o gosto, o cheiro e a cor. E vira um pontinho cinza inerte dentro da gente. Desses que impregna. 

 Ah, não tem coisa mais triste do que Saudade vencida.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Quando o tempo sopra como a brisa



Palavras cheias de romantismo. Atitudes cheias de paixão. Futuro sem compromisso. Promessas sem data. Dor de decepção. 

A cada passo dado sem o movimentar, a cada lágrima formada prestes a se precipitar, some uma nota da música que eu ia dançar com você.  



...e assim sem melodia vai ficando a nossa primeira dança.

terça-feira, 15 de março de 2011

Terezinha de Trinta

       O terceiro já ameaçou aparecer várias vezes. Foi o amigo do amigo da amiga, foi o cara que dança bem, o irmão da colega do trabalho, o padrinho, o médico, foi aquele cara. No início, em cada novo encanto morava a esperança. Mas o tempo passa e assim ela foi ficando cansada, calejada, desistida. Preservada. Com a bagagem do primeiro e do segundo. Com o final das histórias. E, agora, em cada telefone novo mora apenas um nome e um lugar. Em cada nova promessa mora a dúvida. Em cada espera, o fim.

domingo, 13 de março de 2011

...

Ah, o dia seguinte! Dono da minha dor de cabeça, pesada de tanta consciência. 

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Paixonite aguda




Coração dilatado, cheio, gordo que ocupa tanto espaço que comprime o pulmão, os vasos, os nervos e sufoca, e aperta, e dói. 


Decerto é a falta de oxigênio que me leva a fazer coisas malucas. 

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

passa-tempo



 

Arrumei um porquinho 

para te dar um ovo bem grande 

quando você voltar.




("Boas e bobas são as coisas todas que penso quando penso em você" - by Caio Fernando de Abreu)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

déjà vu

quando a gente é criança as coisas impregnam na nossa mente e depois a gente nem sabe de onde veio aquele trauma ou traço ou tic. às vezes eu descubro algum.

passei anos com medo de quando o elevador subia rápido em direção ao último andar. tinha a sensação estranha de que ele ia passar reto e sair do prédio e uma catástrofe aconteceria. Eu juro que sabia que não tinha cabimento mas a sensação existia sem um porquê. até o dia em que refizeram aquele filme A Fantástica Fábrica de Chocolate... e meu medo passou. 

não gostava de ver minha mãe na sacada do prédio e achava perigoso ela ali. imagina eu, que criancinha noiada! enfim só estava preocupada porque a rosa brigava com o cravo e saia despedaçada. já imaginou sua mãe em pedacinhos desmanchando como um quebra-cabeça? várias vezes.

quando pequena passava horas brincando com as figuras de Escher impressas em dezenas de cartas como as de baralho. eu e minha amiga Luisa. talvez venha daí toda a ordem que eu encontro na minha bagunça inevitável.

e a dor que eu sinto ao ouvir um realejo. credo. tem som mais triste nesse mundo? e nesse caso não adianta. eu presumo que venha da música do Chico "estou vendendo um realejo, quem vai levar?..."  nesse caso não passa o aperto no peito cada vez que vejo, ouço ou penso num. são raros hoje em dia. (o mais estranho é que eu adoro encontrá-los. é como um prêmio. como quando a gente vê um arco-íris ou como quando tiramos o palito premiado do sorvete).

Acho que ajuda pensar onde estão as raízes de seus traumas-manias-defeitos para tentar melhorar um pouquinho. Tá aí, sua vida não vai começar depois que um príncipe encantado aparecer com um beijo - desperte agora, nunca é tarde.