Sobre uma moça que sempre se encantava com o arco-íris, com a bolinha-de-sabão e com um céu repleto de ovos-de-Páscoa, com o barulho da chuva e com cheiro de multidão.
Chegou o dia em que ela se viu despedaçada. Pedaços que estavam, outrora, tão bem colados que ninguém, nem ela, percebia. E cada pedaço era um pouco de uma pessoa, que em algum momento havia passado por ali. Mas o que seria ela senão aquele monte de pedaços de pessoas? Despedaçando-se, o que seria? Pois não encontrava o pedaço unitário que, no todo, de fato, a constituía.
Um dia, cansada, descobriu que esse único pedaço não existia. Descobriu que todos aqueles pedaços ainda estavam ali. E que na vida a gente se faz do tanto de coisa que a gente junta e conhece e aprende ou desaprende, gosta ou desgosta. E de repente talvez não estivesse mais despedaçada. Só precisava aprender da arte de encaixar tudo direito, e não descolar mais.
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