quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Oitavo P.O.

  Tenho tido muito tempo pra pensar. Muitas vezes pensamentos úteis, outros degradáveis, e um tanto de futilidades. Problemas. Quero falar sobre o que estamos procurando nas/para nossas vidas. Sem envolver religião ou a busca de si mesmo, filosofia demais. Simples: como chegar onde queremos estar.
  O ano está indo embora e nada como começar esse post com uma retrospectiva. Que ano incrível, esse 2012! Fiz tanta coisa que me custa lembrar de pequenos eventos. Vou tentar o máximo:
  Fui madrinha de 2 casamentos e participei de vários (perdi a conta). Peguei 1 buquê, mas foi meio marmelada.
  Fiz uma viagem inesquecível para Grécia e Turquia e, melhor, com duas amigas! Sempre pensava em ir pra lá na lua de mel, mas descobri que a Grécia é lugar pra ir solteiro e que um terraço com vista pra Acrópole pode te proporcionar histórias incríveis. Descobri também o melhor iogurte grego é o que vendem na rua da Grécia. Percorri as ruazinhas de Mykonos com sua paisagem azul e branca coroada de flores rosa e subi em cima da mesa pra dançar. Aluguei motinho em Santorini, como toda boa turista, mas estava na maior ressaca e o capacete sacodiu tanto minha cabeça que achei que ia desintegrar. Andei de balão na Capadócia, incrível! E o guia turístico de lá se apaixonou por minha amiga, antes da novela das oito ir ao ar. Me apaixonei por um turco lindo, por 1 dia. Tomei o melhor sorvete de pistache da vida, na Turquia, e é um cone da Kibon! Comi pistache até ficar verde. Senti cheiro de chulé.  Conheci lugares que nunca imaginei, e em ótimas companhias. 
  Outro grande marco do meu ano foi ter me estabelecido profissionalmente - não que eu esteja trabalhando nos melhores lugares ou muito menos ganhando quanto eu acho que mereço ganhar, não. Finalmente eu sei, hoje, onde eu quero chegar na minha profissão. Comecei a traçar meu caminho. Não sou mais uma andarilha no mundo pediátrico. E publiquei meu 1o artigo científico, e como 1a autora! 
  Não poderia deixar de contar que, finalmente, saí da casa dos meus pais. Sobre isso... sabia que era algo que eu tinha que fazer, que desejava muito. Mas não foi fácil! Tive dores de crescimento, mas cresci! Agora só sinto alegria e a certeza de ter uma vida somente minha e que, quanto mais minha ela se torna, melhor me sinto sozinha, mas maior é a vontade de estar com os amigos e família ao meu redor. E tenho uma cama grande! Além de ter ganhado minha própria companhia, ganhei duas hermanitas que dividem o apê comigo, queridas, entraram com tudo na minha vida e tem me permitido ser uma pessoa melhor.
  Minha vó ficou doente, teve alguns AVCs e vive há 6 meses acamada num hospital. Não fala, não come, às vezes parece que enxerga - entende - ouve bem. Ela tem 89 anos e meu avô, de 92 anos, vai passar todo fim de tarde com ela. Enche ela de beijos (do jeito dele), quando ele chega com a bengalinha, e só sai depois que ela dorme, pra ela não se sentir sozinha ali. Tem sido difícil para todos, apesar de já um pouco adaptados e de termos incorporado tudo isso à nossa rotina nesse momento. Tem muita coisa na vida que a gente não entende porque vem. É ruim quando temos que rearranjar as coisas sem ser como planejamos. Já tive revolta, dor, dó, cansaço, implorei por misericórdia. E tive a oportunidade de entender um pouco sobre o que é amor. Um prêmio.
  Já ia me esquecendo de contar: ganhei um CID-10 novo: K51.3. Fazer o quê? Já me adaptei.
 Nem parece que foram 12 meses, de tanta coisa importante que me aconteceu. Estamos no último mês e eu resolvi fazer uma plástica. :o Estou feliz por ter tido coragem, mas exausta e com um certo medo do resultado. Neste oitavo dia de repouso pós-operatório, sem sair de casa, esta cirurgia tem me gerado tempo pra pensar, aflorado inseguranças e me deixado exposta às coisas que eu não consegui resolver ou, ao menos, direcionar este ano. 
  Nada é simples. Quase nada é para sempre. 
 Andei pensando sobre essa busca por um par que me assombrou nos últimos anos. Fico me perguntando até que ponto devemos "tentar" conhecer alguém --- ir aos encontros sem sentir nada, esperar o sentimento aflorar, aprender a gostar. Avaliar as características que combinam, signos e gostos em comum antes de querer amar. E deixar aqueles avassaladores que atropelam tudo de tanto desejo (de ter) pra trás. Vejo meus avós. Sei onde eu quero chegar. Sei o que é importante pra mim. Mas por que é tão difícil organizar essa parte da vida? Tenho que me render a romances sem borboletas? Abandonar as histórias dos filmes? Aceitar? Vivo meu oitavo P.O. sem sair de casa e não sei. Não quero. Quanto mais leio e erro e aprendo, parece que não estou no caminho certo, mas meu coração ainda manda seguir. Não consegui abandonar os desejos do coração, nem do estômago. E vou fechar meu ano seguindo assim. 
  Ainda preciso fazer aniversário em 2012... 
  

Nenhum comentário:

Postar um comentário