quarta-feira, 24 de julho de 2013

quarta-feira


Foi difícil sair da cama de manhã, ando muito cansada. A diarista chegou tarde e eu não consegui pedir pra ela lavar minhas blusas de bolinha, me esqueci de ligar depois. Que frio danado, né?!!! Saí correndo pra almoçar sozinha para conseguir ler um pouquinho do meu livro, mas encontrei uma velha amiga e a conversa rolou até o fim do tempo, o que também foi ótimo, no fim. Passamos no teste de hoje à tarde, mas morri de tensão. Pensei que amanhã quero acordar tarde e fazer uma massagem. Fui sugada no hospital - impressionante como tem gente que faz questão de levar toda energia da gente, e despejar uma coisa escura e densa. Sério, às vezes me sinto num filme chinês. Preciso ler sobre fungos e vacinas, mas só consigo ler meu livro. Veja, a população em questão é a mesma, muda o foco: é sobre a de vida jovens com câncer e não sobre a luta pela vida de jovens com câncer. Ainda não terminei de ler. Adoro quando um livro me tira da minha realidade, que me faça querer ler não sobre fungos e vacinas, mas que me encha de vida e de vontades. Ando pensando de novo.
"Não vou morrer hoje!", foi a última coisa que meu avô me disse antes de desligar o telefone agora. Meu avô sabe das coisas.





sexta-feira, 19 de julho de 2013

terça-feira, 7 de maio de 2013

I don't fell like dancing

Andei um tempo por fora do facebook, não sei se foi esse meu retorno me bombardeando de informações ou se cheguei ao meu limite, mas estou indignada, revoltada, chateada e com a sensação de que esse país não tem mais jeito não. Primeiro deixam abrir faculdades de medicina sem parar pelo Brasil. Sério, vira e mexe eu descubro que tal facul agora tem curso de medicina - e que meus professores também estão dando aula lá (afinal todo mundo precisa de $ pra comer, e comer tá caro). Enquanto a gte vai dar aula pra graduação quase com retroprojetor (estou esperando esse dia chegar). É bizarro. Segundo, cada dia menos investimento em pesquisa e ensino por aqui - é fato que quem fica na área acadêmica no Brasil é por muito AMOR à medicina mesmo, o que muitas vezes enche o saco. Enfim, em vez de investir na qualidade, claro, ótima escolha: importar pessoas! A gente já tem essa mania de exportar o que produz de bom e importar o produto substituto em grande quantidade. Não querendo falar mal dos coitados dos cubanos que acham que vão vir pra cá, ele não sabem onde estão se metendo. Talvez tenham bons médicos ali no meio, mas não vai dar pra saber porque não tem nem que revalidar o diploma agora. Aí a gente reclama se alguém da família sofre acidente e não levam pro HSP ou HC, onde a gente conhece todo mundo, não, levam lá pra algum hospital da periferia e quem atende é um estrangeiro que não sabe nem falar português (sem citar nacionalidades, pq já virou até piada).

Estou cansada... desse país ridículo em que vivo, dessa violência toda, de filha que leva tiro por causa de uma pizza, de gente que morre porque tem um celular legal ou porque não tem dinheiro pra dar - pro ladrão. cansada de saber que tem criança mal-tratada. cansada da impunidade desse povo todo. cansada de ouvir tudo isso. cansada de ter uma profissão cada vez mais desvalorizada pelos próprios clientes, cansada de ouvir tanto desrespeito, falta de educação, desconsideração, cansada de viver cansada. Sempre fui defensora do meu país, tanto lugar bonito, mas pobre, esquecido, ridículo. Nunca fui muito sensível ou tocada pelos fatos, cheguei até a achar ridículo quem falava mal do Brasil. Mas não da pra ouvir mais não. Sim, talvez seja uma pandemia, gente ruim no mundo todo, mas, sinceramente, é aqui que (infelizmente) vivo e que tenho que aguentar. Quem consegue ver o jornal hoje em dia?

Eu só vejo 1 saída: a de emergência. Vamos embora pessoal!



segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Eu ainda acredito nas pessoas. Acredito que sentimentos sejam verdadeiros. Acredito na sinceridade. Acredito no coração. Sei que, no meio de tanta gente nesse mundo, acabamos cruzando com alguém menos preparado, que pode nos machucar. Mas eu quero viver nesse mundão. Arriscar. Acreditar na pessoa errada por um instante, somente por poder dizer que eu pude acreditar. Assim eu vivo. Assim eu consigo. Assim eu fico inteira, consciente, e cada dia mais dura na queda. Errar, perdoar, conhecer, arriscar, acreditar é meu jeito de viver. Não podemos definir ninguém por uma atitude somente. As pessoas são complexas, grandes, muito maiores do que você com certeza sabe sobre elas. 
Eu acredito em mim, muito antes de saber de você.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Oitavo P.O.

  Tenho tido muito tempo pra pensar. Muitas vezes pensamentos úteis, outros degradáveis, e um tanto de futilidades. Problemas. Quero falar sobre o que estamos procurando nas/para nossas vidas. Sem envolver religião ou a busca de si mesmo, filosofia demais. Simples: como chegar onde queremos estar.
  O ano está indo embora e nada como começar esse post com uma retrospectiva. Que ano incrível, esse 2012! Fiz tanta coisa que me custa lembrar de pequenos eventos. Vou tentar o máximo:
  Fui madrinha de 2 casamentos e participei de vários (perdi a conta). Peguei 1 buquê, mas foi meio marmelada.
  Fiz uma viagem inesquecível para Grécia e Turquia e, melhor, com duas amigas! Sempre pensava em ir pra lá na lua de mel, mas descobri que a Grécia é lugar pra ir solteiro e que um terraço com vista pra Acrópole pode te proporcionar histórias incríveis. Descobri também o melhor iogurte grego é o que vendem na rua da Grécia. Percorri as ruazinhas de Mykonos com sua paisagem azul e branca coroada de flores rosa e subi em cima da mesa pra dançar. Aluguei motinho em Santorini, como toda boa turista, mas estava na maior ressaca e o capacete sacodiu tanto minha cabeça que achei que ia desintegrar. Andei de balão na Capadócia, incrível! E o guia turístico de lá se apaixonou por minha amiga, antes da novela das oito ir ao ar. Me apaixonei por um turco lindo, por 1 dia. Tomei o melhor sorvete de pistache da vida, na Turquia, e é um cone da Kibon! Comi pistache até ficar verde. Senti cheiro de chulé.  Conheci lugares que nunca imaginei, e em ótimas companhias. 
  Outro grande marco do meu ano foi ter me estabelecido profissionalmente - não que eu esteja trabalhando nos melhores lugares ou muito menos ganhando quanto eu acho que mereço ganhar, não. Finalmente eu sei, hoje, onde eu quero chegar na minha profissão. Comecei a traçar meu caminho. Não sou mais uma andarilha no mundo pediátrico. E publiquei meu 1o artigo científico, e como 1a autora! 
  Não poderia deixar de contar que, finalmente, saí da casa dos meus pais. Sobre isso... sabia que era algo que eu tinha que fazer, que desejava muito. Mas não foi fácil! Tive dores de crescimento, mas cresci! Agora só sinto alegria e a certeza de ter uma vida somente minha e que, quanto mais minha ela se torna, melhor me sinto sozinha, mas maior é a vontade de estar com os amigos e família ao meu redor. E tenho uma cama grande! Além de ter ganhado minha própria companhia, ganhei duas hermanitas que dividem o apê comigo, queridas, entraram com tudo na minha vida e tem me permitido ser uma pessoa melhor.
  Minha vó ficou doente, teve alguns AVCs e vive há 6 meses acamada num hospital. Não fala, não come, às vezes parece que enxerga - entende - ouve bem. Ela tem 89 anos e meu avô, de 92 anos, vai passar todo fim de tarde com ela. Enche ela de beijos (do jeito dele), quando ele chega com a bengalinha, e só sai depois que ela dorme, pra ela não se sentir sozinha ali. Tem sido difícil para todos, apesar de já um pouco adaptados e de termos incorporado tudo isso à nossa rotina nesse momento. Tem muita coisa na vida que a gente não entende porque vem. É ruim quando temos que rearranjar as coisas sem ser como planejamos. Já tive revolta, dor, dó, cansaço, implorei por misericórdia. E tive a oportunidade de entender um pouco sobre o que é amor. Um prêmio.
  Já ia me esquecendo de contar: ganhei um CID-10 novo: K51.3. Fazer o quê? Já me adaptei.
 Nem parece que foram 12 meses, de tanta coisa importante que me aconteceu. Estamos no último mês e eu resolvi fazer uma plástica. :o Estou feliz por ter tido coragem, mas exausta e com um certo medo do resultado. Neste oitavo dia de repouso pós-operatório, sem sair de casa, esta cirurgia tem me gerado tempo pra pensar, aflorado inseguranças e me deixado exposta às coisas que eu não consegui resolver ou, ao menos, direcionar este ano. 
  Nada é simples. Quase nada é para sempre. 
 Andei pensando sobre essa busca por um par que me assombrou nos últimos anos. Fico me perguntando até que ponto devemos "tentar" conhecer alguém --- ir aos encontros sem sentir nada, esperar o sentimento aflorar, aprender a gostar. Avaliar as características que combinam, signos e gostos em comum antes de querer amar. E deixar aqueles avassaladores que atropelam tudo de tanto desejo (de ter) pra trás. Vejo meus avós. Sei onde eu quero chegar. Sei o que é importante pra mim. Mas por que é tão difícil organizar essa parte da vida? Tenho que me render a romances sem borboletas? Abandonar as histórias dos filmes? Aceitar? Vivo meu oitavo P.O. sem sair de casa e não sei. Não quero. Quanto mais leio e erro e aprendo, parece que não estou no caminho certo, mas meu coração ainda manda seguir. Não consegui abandonar os desejos do coração, nem do estômago. E vou fechar meu ano seguindo assim. 
  Ainda preciso fazer aniversário em 2012... 
  

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

quando eu crescer eu quero ser velhinha

Um dia eu quero ficar velha
para não me preocupar mais com o que vou ser
nem com o risco de nada dar certo.

Um dia eu quero ficar velha
e ter a história da vida toda
ter meus filhos e netos
ter tempo
e saber tudo.

Um dia eu quero ficar velha
pra dormir sem ranger dente
pra acordar sem saber onde estou
pra tomar banho de banheira
passar Chanel No. 5
e esperar.

Um dia eu quero ser velhinha
pra saber o que é amar.

sábado, 27 de outubro de 2012